O que Martinho Lutero nos ensina sobre pandemias?

 

Estamos Sendo Fiéis ao Fugir de uma Epidemia? Uma reflexão pastoral sobre epidemias, escrita pelo reformador alemão, pode orientar estudantes de medicina e cristãos em todos os lugares por onde o vírus tem se espalhado.

Resumo do post Christianitytoday

O atual surto de coronavírus está fomentando o medo e impactando viagens e negócios mundo afora.Somente na China mais de 3.000 pessoas já morreram e mais de 95.000 foram infectadas em cerca de 75 países — número maior que a epidemia de SARS em 2003.

Cristãos chineses, em Wuhan e na China em geral, têm enfrentado decisões difíceis, como se devem voltar para casa para visitar a família (semelhante a milhões de chineses durante o feriado do Ano Novo Lunar), deixar a área continental, ou até mesmo se devem se reunir para os cultos de domingo.

Mas os seguidores de Jesus estão certos em fugir de uma epidemia enquanto pessoas estão sofrendo ou morrendo?

Cristãos alemães no século XVI fizeram essa mesma pergunta ao teólogo Martinho Lutero.

Em 1527, menos de 200 anos após a Peste Negra ter dizimado metade da população da Europa, a praga ressurgiu na própria cidade de Lutero, Wittenburg, e em cidade vizinhas.

Em sua carta “Se Alguém Deve Fugir de uma Praga Mortal”,o famoso reformador reflete sobre as responsabilidades do cidadão comum durante um contágio.

Seus conselhos servem como um guia prático para cristãos enfrentando o problema de surtos contagiosos em nossos dias.

A carta

 
 
 

E se um cristão ainda assim deseja fugir? Lutero afirma que essa pode ser, realmente, a resposta fiel do crente, desde que seu próximo não esteja em perigo imediato e que haja outros que “cuidem e acolham os doentes em seu lugar”.

Notadamente, Lutero também lembra aos leitores que a salvação é independente dessas boas obras. Em última análise, ele ordena que “cristãos devotos … cheguem à sua própria decisão e conclusão”, quer fujam ou permaneçam durante epidemias, confiando que eles chegarão a uma decisão fiel através da oração e meditação nas Escrituras. Participar na obra de cuidar do doente surge da graça, não da obrigação.

Lutero não limitou o cuidado dos doentes aos profissionais de saúde. Numa época em que muitos países enfrentam uma escassez de leitos e pessoal nos hospitais, seu conselho é especialmente relevante.

Lutero desafia os cristãos a ver oportunidades de cuidar dos doentes como se estivessem cuidando do próprio Cristo (Mt 25: 41–46). Do amor a Deus emerge a prática de amar ao próximo.

Não seja Imprudente!

Lutero não incentiva seus leitores a se exporem de forma imprudente ao perigo.

Sua carta aborda constantemente dois temas concorrentes: honrar a santidade da própria vida e honrar a santidade dos necessitados.

Lutero deixa claro que Deus dá aos seres humanos uma tendência à autoproteção e confia que eles cuidarão de seus corpos (Ef 5:29; 1 Cor. 12: 21–26). “Todos nós”, diz ele, “temos a responsabilidade de afastar esse veneno da melhor maneira possível, porque Deus nos ordenou que cuidássemos do corpo”.

Ele defende medidas de saúde pública, como quarentenas, e a procura a atendimento médico quando disponível. De fato, Lutero propõe que não fazer isso é agir de forma imprudente.

Assim como nossos corpos são dádivas de Deus, também são os remédios disponíveis no mundo.

No entanto, o próprio Lutero não teve medo. Apesar das admoestações de seus colegas da universidade, ele permaneceu para ministrar aos doentes e moribundos. Ele urge seus leitores a não terem medo de “uma pequena fervura” no serviço ao próximo.

Apesar dos filhos de Deus enfrentarem sofrimentos aqui na terra, todos os que professam a fé em Cristo compartilham a promessa celestial de um dia serem livres da doença e do sofrimento.

Numa carta aberta em que pede a oração de cristãos de todo o mundo, um pastor anônimo de Wuhan afirma que

“a paz de Cristo não consiste em nos tirar do desastre e da morte, mas em ter paz diante do desastre e da morte, pois Cristo já venceu essas coisas.”

Tanto Lutero quanto o pastor anônimo de Wuhan expressam a realidade do sofrimento, mas reconhecem que a palavra final não pertence à morte ou ao sofrimento.

Nessa atmosfera de medo em volta do surto, me volto à carta de Lutero para me orientar.

 Lutero me lembra que, independente de qualquer coisa, são pessoas que merecem cuidado.

“Quando te vimos doente?” perguntam os justos na parábola das ovelhas e dos cabritos, e Jesus responde, “Sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mt. 25: 39,40).

Se e quando o coronavírus invadir nossas comunidades, como responderemos fielmente?

 

Josué Junior

Josué Junior é Seminarista estudante de Teologia da Faculdade Batista MG e apologista cristão, Cosmovisão cristã e Teologia reformada, Formado em Ciências Contábeis, Funcionário Público e Professor. Criou os canais Salvos por Cristo Jesus no ano de 2016 com objetivo de levar o amor de Deus a todo aquele que crê no sacrifício de Jesus e na vida eterna. Suas mensagens têm como tema central o resgate do evangelho genuíno. Casado e pai de dois filho, serve a Deus e prega por todo o País. Se desejar falar com o Josué Junior, ou ainda convidá-lo para pregar em sua igreja escreva para: salvosporcristobr@gmail.com.br

Website:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *